O NEPP - Núcleo de estudos e prática em Psicanálise é um espaço que foi pensado a partir de um desejo de servir, vivo nos corações de seus idealizadores. Desta forma, cremos que é também nossa responsabilidade, oferecer nossa perspectiva diante dos mais variados temas que compõem o imaginário das pessoas, já que pessoas são o alvo de nossas atividades.
Bom... é inegável o estado de ansiedade e angústia que nos envolve a todos, enquanto cidadãos de uma república jovem, frágil e pouco instruída.
Estamos em meio a um processo eleitoral sem precedente, especialmente pela quase impossibilidade de se poder evitar as diversas interferências de interesses terceiros na opinião do eleitor menos instruído e consciente, que lamentavelmente, representa considerável parcela do eleitorado.
Dados colhidos no TSE, referentes ao mês de julho de 2026, informam que do total de aproximadamente 159 milhões de eleitores, quase 40 milhões, ou seja, em torno de 25%, estão cadastrados como analfabetos ou com ensino fundamental incompleto.
Nos parece óbvio não podermos exigir dessas pessoas, desenvoltura para discernir adequadamente sobre questões que envolvam dados estatísticos, históricos e reflexão filosófica, ou segurança quanto a não estarem sendo induzidas por manipulação da informação, especialmente quando os meios digitais se tornaram a principal ferramenta de divulgação, informação e desinformação.
Assim, desejosos de que nossa reflexão possa contribuir de alguma forma no processo, apresentamos nosso posicionamento, o qual, apartidário que se pretende, não pode se negar a convocar a uma reflexão o mais madura possível.
Não podemos deixar de olhar para trás, compulsar os registros históricos em todas as suas possibilidades de expressão.
Não podemos permitir que valores morais anacrônicos e obsoletos sejam o canto da sereia que nos atraia ao equívoco de escolher o pior, por ser o que mais reluz, ou que mais nos pareça oferecer em vantagem pessoal.
Não podemos, sob qualquer pretexto, permitir que um discurso religioso, qualquer que seja, influencie nossa escolha de governantes.
Não podemos desconsiderar os choques de ideias sobre a república ideal de Platão e Aristóteles, nem as divergentes posições acerca do contrato social de Locke e Rousseau. Pelo contrário, precisamos conhecer a história, com seus erros e acertos, com as revoluções e evoluções baseadas na dialética aplicada à realidade sensível.
Não podemos permitir mais retrocessos, além dos que já se instalaram nos últimos anos, como o desmanche da CLT e a franca desmoralização dos poderes do Estado, especialmente do Judiciário, que, em todas as suas instâncias, seja por ataques externos, seja por deterioração moral interna, tem se mostrado mais e mais enfraquecido.
Um povo sem memória e sem coragem, está fadado a ser dominado e explorado... sempre. O momento exige que pensemos seriamente sobre o passado e nos preparemos responsavelmente para o futuro.
