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Cancelamento gratuito, ou crédito a indignos?


Um fenômeno interessante tem se espalhado em nosso meio e causado perplexidade em quem observa o comportamento humano, especialmente nos últimos tempos -  tempos de globalização, de disseminação descontrolada da informação, de inversão de valores - tudo isso, provavelmente em função de uma falta de conceitos bem estabelecidos, ou de ausência mesmo de conceitos e valores palpáveis. Bauman deve estar se contorcendo lá de cima, dizendo: eu avisei!!!

Ao observarmos o comportamento das pessoas, tanto jovens quanto velhos, homens ou mulheres, das mais diversas origens, raças, classes sociais, etc, o que vemos, e falo isso em relação ao povo brasileiro especialmente, é um total descaso com o que antigamente se respeitava religiosamente; Não quero, obviamente, propor um retorno ao que já se sabe inadequado, mas, uma busca por equilíbrio. Precisamos evitar repetir os mesmos erros dos nossos antecessores.

Não me parece de forma alguma, ser desejável ou proveitoso, sermos guiados por ridículos e anacrônicos defensores do indefensável como a ex-atriz Regina Duarte ou o ex-comentarista Alexandre Garcia, que sem argumento palpável, mancharam indelevelmente um passado respeitável, aparentemente a troco de nada; ou pior, em troca de fazer parte de um grupo execrável e retrógrado, de seguidores de uma figura patética, completamente oposta à formação e à experiência de vida dos dois, que já foram amados e respeitados e hoje são motivo de memes hilários. 

Da mesma forma, urge nos afastarmos de posturas infantis, perversas e inconsequentes, como Monark ou Adrilles, que, diferentemente dos dois antes citados, eram até pouco tempo, meros semianalfabetos desconhecidos, mas que, assim como os famosos citados, alcançaram visibilidade e se julgaram acima da crítica, a ponto de vincularem suas imagens a outras, essas sim, já carregadas de conceitos negativos, diante de uma sociedade apaixonada pela lacração, que empodera o anônimo e desconsidera o currículo, armada com a mais poderosa ferramenta de destruição já conhecida, qual seja, o livre acesso de todos à manifestação indiscriminada de seus instintos mais primitivos, como diria uma outra abjeta celebridade, que da minha parte, não merece ter o nome citado.

Fica então a dúvida: o que faz com que tantas pessoas deem valor a coisas tão  claramente indignas? Seria algum tipo de protesto? Mas que protesto idiota é esse, que arranca o pé, quando o problema era uma unha?

O problema é que não sabemos lidar com a liberdade. O sujeito que nasceu no Brasil "redemocratizado", já livre do regime militar que existiu de 1964 a 1985, foi criado por pais sedentos de liberdade de expressão. Esses pais, imbuídos das melhores intenções, se orgulham até hoje, de dizer que "meu filho não vai passar pelo que eu passei". Tiraram toda a censura, quebraram todas as cercas, em nome da liberdade.

Assim, vimos crescer uma geração de ignorantes da necessidade de limites, da qual todos nós carecemos. Esses acrônicos indivíduos, em cujas mãos está o futuro de todos nós, realmente ignoram importantes conceitos, não dando conta de perceber além do seu próprio tempo, como se o mundo tivesse surgido junto com eles e não fosse existir além deles. Não valorizam a história, nem a própria história procuram conhecer. É a marca de uma geração que evita o passado, tentando fugir da possibilidade de ser tão ruim quanto a sua antecessora.

Assim, erram por mero desconhecimento dos erros do passado e não constroem sequer expectativa de futuro.

Uma pessoa sensata, certamente buscará no passado, orientação mínima que seja, quando estiver insegura em relação a uma situação qualquer. Isso poupará desgaste  desnecessário, desilusões e sofrimentos diversos. 

A repetição é intrínseca ao humano civilizado, mas esse mesmo humano, sabemos, é o único animal até  então capaz de tudo o que fizemos. Não me parece justo permitir que as crianças ou os afetados por demência, desperdicem impunemente tanto esforço já despendido.

 

 

Feliz 2022... sqn.

          E começa 2022.... 

Não me parece adequado, sustentar a menor expectativa quanto à possibilidade de que este possa ser um ano bom. Pelo contrário, temos razões de sobra para acreditar e até mesmo para começar a nos preparar para um período de um grande desgaste emocional, psicológico e físico.

Sim, essas três áreas, provavelmente serão severamente atingidas no decorrer de 2022. Senão, vejamos: nosso povo vive atualmente a experiência do segundo ano sem o carnaval, que foi durante décadas, a normalidade de fevereiro. Grande quantidade de administrações municipais, agindo de forma preventiva contra uma nova onda de COVID que parece se aproximar, cancelaram os festejos momescos e estão investindo no controle sobre as aglomerações comuns nos eventos típicos da época, algo que já fazia parte da cultura brasileira e que a população não está disposta a abandonar facilmente, mesmo que isso possa trazer graves consequências, como o aumento de internações, o colapso do sistema hospitalar e a ocorrência de mortes, como se viu em 2020 e até meados de 2021.

O sofrimento causado pela diminuição das possibilidades de divertimento, afeta o grupo, que percebe negativamente o impedimento da satisfação de sua necessidade de prazer, mas não sente da mesma forma a dor do indivíduo na perda pela morte de algum parente próximo.

Antes mesmo de pensarmos na falta do carnaval, já temos motivos para causar abalo emocional. O ano começou muito mais chuvoso do que o esperado. Os deslizamentos de barreiras, inundações e alagamentos, acidentes diversos, inclusive em localidades onde tais ocorrências não eram comuns, já estão gerando desabrigados e desalojados pelo Brasil afora.

E se isso não fosse desgraça o suficiente, estamos em ano de eleições presidenciais. E estamos vivendo um momento jamais vivido, em que as informações circulam livremente, sem censura, mas também, sem qualquer controle, sem ética, sem respeito pela opinião alheia, sem respeito pela verdade.

Assim, já podemos ir nos preparando para uma campanha suja, com abuso dos meios de comunicação, em desrespeito à nossa inteligência e à nossa capacidade de discernimento. Isso vai custar caro para nossa paciência. Vai nos cansar, nos adoecer física e mentalmente. Mesmo que tenhamos um resultado das eleições favorável à reestruturação do país, o desgaste me parece inevitável, dado o baixíssimo nível de grande parte dos envolvidos. 

Assim, juntando-se todos essas fatores e somando-se o fato de que a pandemia de COVID-19 não parece estar se encaminhando ao fim, 2022 já começa dando pinta de que não vai ter um bom fim. Claro que depende de cada um de nós, do que faremos diante das circunstâncias. Mas que vai ser fácil, não vai não. Bom seria que esta reflexão fosse bastante pessimista e exagerada.

Então, mais que nunca, compete a cada um de nós, uma atitude madura e respeitosa, em relação ao outro e a nós mesmos. Urge que nos abstenhamos de desejar buscar o prazer imediato e desmedido; que observemos os fenômenos naturais com respeito pela Natureza e que sejamos menos susceptíveis às diversas formas de manipulação da opinião, que nos cercam e nos induzem ao erro, como aconteceu com muitos incautos em 2018.  Nos cuidemos e façamos que 2023 comece com mais motivos para otimismo.


Weverton Duarte Araújo

Pequenas mudanças, grandes estragos.

O momento que vivemos tem se mostrado como uma experiência sem par, pelo menos para nós, que o vivemos, sem que tenhamos sido preparados, ou mesmo avisados de que algo tão impactante iria nos ocorrer. Tudo mudou de forma muito rápida…

É assim que percebemos. Não conseguimos entender que as coisas já vinham mudando há muito tempo e agora, por força das circunstâncias, apenas não há mais como não ver o resultado das pequenas mudanças que se acumularam.

Spencer Johnson, autor do best seller "Quem mexeu no meu queijo?", trata ali o assunto e nos mostra o quanto é verdadeira essa lamentável afirmação, de que não nos habituamos a nos preparar para as mudanças e somos frequentemente pegos de surpresa, pela menor delas, a gota d'água que faz entornar todo o caldo. Assim, cada pequena mudança, que deveria ser coisa normal do dia-a-dia, por mera inobservância, se torna uma grande dor de cabeça, causando desconfortos os mais diversos.

Observemos o atual quadro que atravessa a vida político-econômico-administrativa do Brasil. Boa parte dos eleitores que votaram em 2018 se encontram entre os que, embora possuam o direito, podem ser classificados como não aptos a votar. Ou seja, votaram como uma criança escolheria um brinquedo. Pela aparência, pela propaganda que conseguiram ouvir ou ver, sem a menor utilização de sua capacidade inata de exercitar o senso crítico, pensar, avaliar, julgar mesmo o que havia de verdade e falseamento nas notícias veiculadas na época, etc.

Na verdade, o que guiou essas “cecilias” portadoras do poder de decidir o futuro do país, mas claramente despreparadas para usar o título de eleitor, pode até ter sido um sentimento digno, um desejo honesto de mudança, mas, por ignorância e patente falta de capacitação intelectual e cultural, não podendo fazer diferente, fizeram o que fizeram. Deste modo, temos hoje um Brasil acelerando em marcha à ré, guiado pela pior estirpe de seres humanos que ainda rasteja sobre nosso chão.

É certo que os governos anteriores, embora tenham patrocinado avanços sociais e econômicos jamais vivenciados em nossa história, também coabitavam com o joio, assim como os atuais e os próximos terão que conviver, já que é sabido que não se arranca o joio sem matar, ou ferir gravemente o trigo.

Mas isso não pode ser motivo para não observarmos as mudanças, não pensarmos com maturidade e isenção. O prejuízo material, cultural e moral, diante do mundo e de nós mesmos, já é e ainda vai ser, muito maior do que se pode perceber à primeira vista.


Assim também é na vida de cada um de nós. Os erros ou equívocos, que cometemos nas escolhas de pessoas para termos como companheiros de viagem nessa estrada chamada vida, assim como em todas as escolhas que fazemos, como nossa profissão, adesão religiosa, filiação partidária, agrupamentos os mais diversos, quem amamos e quem odiamos, resultarão em consequências inexoráveis.

Feita a escolha, não há como não colher os frutos desta. E as pequenas mudanças cotidianas nos obrigam a escolher todos os dias, às vezes, muitas vezes no mesmo dia.


Daí a necessidade de observar constantemente a natureza e questionar sempre nossas certezas.


Daí a necessidade de nos analisarmos constantemente, assim como, não permitirmos que o desejo do outro nos iniba a subjetividade. Nem isso, nem o inverso disso.




Weverton Duarte Araújo


Poliamor x purofuror

Weverton Duarte Araújo


O que podemos esperar quando um representante do cristianismo (a religião do amor, do perdão e do cuidado) começa a pregar abertamente o ódio, o desrespeito e a mentira?

Falo aqui como parte do povo de Divinópolis-MG, que, já assolado pelas mesmas dores que o resto do Brasil tem sofrido, diante da pior crise sanitária dos últimos tempos, e sob o pior governo federal da nossa história, recebe agora, de onde menos devia esperar, uma saraivada de ódio, desrespeito, desequilíbrio e incentivo à violência, pela mensagem grotesca, de mau gosto, de conteúdo dúbio, retrógrada, tendenciosa, suspeita e desnecessária, produzida pelo popular padre Christian, animador de auditório em pele de vigário, que conta com um grande número de seguidores, admiradores, adoradores, etc.

Não bastasse a desorganização do texto, a falta de respeito com as opiniões divergentes da sua suprema verdade, o sugestionamento, as elucubrações e divagações tomam conta do discurso, que de nenhuma forma, parece ter sido feito em um ambiente no qual as pessoas vão à procura da repetição do discurso cristão. Ou seja, se o sujeito vai a uma igreja cristã, supõe-se que ele esteja buscando ouvir o que Jesus diria como resposta a suas perguntas. E não foi isso o que o suposto representante do discurso cristão fez. Pelo contrário, suas palavras e gestos foram de desrespeito a seres humanos, a instituições, a culturas e à própria Constituição Federal. Nunca li ou ouvi dizer que Jesus tenha cuspido em alguém de quem tenha discordado. 

Mas esse tipo de gente, esse tipo de pensamento e de atitude, tem ganhado espaço nos últimos tempos. Alías, o lugar de onde ele fala, já foi por longo período, utilizado para manipular, para roubar, matar e promover o obscurantismo, como a história, se bem lida, não esconde. Humberto Eco, em “o nome da rosa” nos dá um bom exemplo disso. Também a cena inicial de 1492 – a conquista do paraíso, é um claro recorte do que promoveu a igreja católica por séculos a fio.

Professores, Psicólogos e outros ofendidos pela gratuita e violenta verborragia, já se manifestaram, em reação à descabida e intempestiva acusação feita da forma mais inadequada pelo padre, que inclusive confessa no próprio vídeo, não entender do assunto, o que não o impede de manipular uma informação sem a menor garantia de credibilidade, de modo a infundir em seus ouvintes (toda a Internet, já que o vídeo foi publicado, inclusive por um vereador do município) a certeza de que algo de muito ruim aconteceu e dá pistas (foi em uma escola particular).

Quanto ao tema aterrorizante, que suscitou o chilique do clérigo, o poliamor, não é algo novo e absurdo como propõe o desinformado religioso. Pelo contrário, está acessível a qualquer pessoa (inclusive jovens na idade que ele aconselha aos pais “proteger” do ambiente escolar) nas inúmeras páginas da Internet dedicadas ao assunto. Assim, mais suspeita se torna a “acusação” direcionada a “uma escola particular”. Na verdade, as pessoas que defendem tais práticas, apenas as tornam públicas, já que, como outras “perversões sexuais”, são praticadas “às escondidas”, há tempos e tempos. Todo mundo sabe e todo mundo finge que nunca ouviu falar. É o resultado da hipocrisia negacionista que Sartre ilustra com “o inferno são os outros”.

Mas, nos preocupa sobremodo, o fato de que esse mecanismo de disseminação de ódio e violência, tem se tornado muito comum. Há poucos anos, uma mulher (Fabiane Maria de Jesus, em maio de 2014, Guarujá-SP) foi cruelmente assassinada em via pública, por uma turba enlouquecida, após a divulgação de uma notícia falsa em uma rede social. O que nos incomoda e preocupa então, é o fato de, pessoas ocupando lugar de destaque e com o poder de influenciar grandes massas, agirem de forma tão inconsequente, irresponsável, leviana mesmo.

Dias sem mães


                          Weverton Duarte Araújo

Quando eu era criança o dia das mães era experimentado como um culto a uma divindade de carne e osso. Esperávamos ansiosos o dia dedicado à bajulação, à oferta de singelos presentinhos (canecas de louça, panos de prato, enfeites, ou qualquer outra bobagem que nos custava algum esforço, diante da fraqueza dos nossos recursos, mas nada de absurdo, que não pagássemos com uma semana de pequenos trabalhos).
Era um momento de verdadeiro êxtase, poder chorar de emoção diante das lágrimas da homenageada e tê-la tão por perto, tão vulnerável e humana. Mas, no dia seguinte, a divindade retomava seu lugar e o distanciamento entre mãe e filho reaparecia, para durar mais um bom tempo, pelo bem da função materna, do indivíduo em formação e da sociedade como um todo, que tinha por meio daquela relação a garantia de sua subsistência.

Mas o tempo passa... as singelas homenagens passam. Passam os presentinhos baratos e agora somos quase obrigados a comprar algo de valor para não sermos vistos como mesquinhos, diante do esforço sobrenatural que ela nos dedicou a vida inteira. As homenagens do dia das mães não são mais um prazer, nem um culto, mas uma formalidade enjoada e sem graça.
Nos quinze dias que antecedem a data, minha caixa de entrada de e-mails fica atolada de ofertas ridículas, com apelos não menos ridículos. As lojas insistem em empurrar como “o sonho de toda mãe” os produtos que não foram vendidos em outra ocasião.
Querem nos vender algo, não importa o quê. Tudo combina com sua mãe e você tem que dar algo para ela nesse dia. De preferência algo além de suas posses, que comprometa seu cartão de crédito até o fim do ano.
Não se recitam mais versos, jograis, poemas. Poucos mandam flores. No dia seguinte, a mãe de crianças vai continuar ausente, pois os pequenos vão para a “escolinha” e a divindade vai trabalhar o dia inteiro, por não ter um marido que a sustente ou por que se submeteu aos ditames da sociedade que exige que ela trabalhe para ter como consumir produtos. Mas sua voz, que ensinava, corrigia e direcionava, não é ouvida pelos filhos. Quem lhes fala é a escola, que nada pode dizer.
Mãe como função exercida por uma pessoa, numa relação de cuidado com um ser a quem ela ama incondicionalmente, não se vê mais.
Mãe como formadora de pessoas, como principal educadora do indivíduo, antes mesmo de ele ser submetido a qualquer tipo de educação formal. Aquela que ensina os primeiros conceitos e fornece a base para que uma pessoa estabeleça e desenvolva seu caráter, onde se acha?
Mãe como insubstituível cuidadora de um animal que não sobrevive até completar pelo menos um ano de idade se não tiver em torno de si as atenções diuturnas de uma figura materna.
Mãe como disseminadora do ethos da sociedade em que vive, ao inculcar desde cedo naquele que vai ser um cidadão, os princípios básicos de convivência em grupo.
Mãe como a que conduz e introduz por seu discurso a lei-do-pai, que fornece limites ao pequeno ser humano ainda desconhecedor da necessidade de regras.
Mãe como inspiradora do super-ego, que desafia, critica, cobra, instiga e, acima de tudo, está sempre ali, mesmo quando não puder ser vista fisicamente.

Naquela relação entre mães e filhos de menos de meio século atrás, a mãe não pedia, mandava. E mandava apenas com o olhar, às vezes. O respeito era algo quase palpável. A mãe trazia ainda em seu discurso a ameaça de contar para o pai, esse sim, portador da ação punitiva, inibidora e suficiente forte para induzir o filho a se encaixar no modelo apreciado pela sociedade. 
Não podemos dizer que isso funcionava cem por cento, mas podemos, com certeza, afirmar que a falta disso não está dando muito certo.
Aquelas mães já não são encontradas facilmente hoje em dia. Hoje os filhos não temem a ameaça ou a punição, até por que a figura do pai também se transformou no decorrer dos anos. Não existe mais o perigo das chineladas e surras com “vara de marmelo”, ou cinto de couro. 
O pai perdeu seu poder e a mãe sua ferramenta de contenção da euforia desmedida, típica da infância e da juventude. Os resultados estão aí, para se ver, ou para nem se querer ver. As crianças são criadas soltas por aí, sem regras, sem ensinamento de valores, sem punição pelos pequenos erros. É claro que não vai dar em coisa boa.

A pergunta que fica é: Quem vai ocupar o espaço que ficou vago quando as mães saíram de casa para "competir" com os homens no mercado de trabalho, buscando igualdade de direitos, direito de trabalhar, equiparação salarial, respeito pela diferença, tratamento diferenciado pela condição feminina, etc, etc.?
Não vamos entrar na polêmica de se é certo ou errado a mulher ir à luta e deixar a criação dos filhos para alguém. O fato é que as coisas estão assim e assim não está dando certo. Falta alguém para fazer o que as mães faziam e funcionava melhor do que agora. 
Isso sim, é importante e precisa ser pensado. Se não, dentro de pouco tempo nós nos destruiremos uns aos outros, por não termos recebido educação de base, dentro de casa, enquanto era tempo de aprender.

Neste dia das mães, comemoramos dias sem mães, na essência do termo.


Ética e cidadania

 Ética e cidadania
 Weverton Duarte Araújo

Para começar as reflexões sobre ética e cidadania precisamos, creio eu, antes de tudo alinhar nossos conhecimentos sobre os dois termos. Precisamos ter bem claros os conceitos de ética e cidadania.
Vamos então, nivelar nossos conceitos de ética e cidadania, para depois sim, falarmos sobre a importância dessas duas práticas no dia-a-dia da sociedade. OK?
E por que falar sobre ética e cidadania neste momento? Por que escolhemos este tema? Certamente não foi por acidente, mas principalmente por dois motivos:
 
1 - O momento histórico que estamos atravessando, no qual é possível se observar uma crise de conceitos e uma relativização generalizada (tudo é permitido em nome de uma liberdade cada vez menos palpável). Temos ficado cada vez mais presos à necessidade de “apagar os incêndios” causados exatamente por essa falta de normatização que os jovens (principalmente os jovens, mas não só eles) percebem como “vale tudo”. O uso irresponsável da liberdade gera prejuízos imensos e às vezes, irreparáveis.
 
2 - A falta mesmo que uma boa noção desses conceitos nos faz para que saibamos qual o nosso papel na sociedade da qual fazemos parte, independente do momento histórico ou político.

E como podemos perceber a falta que faz conhecer o significado dos termos ética e cidadania? Por que é importante saber isso?

Pois vamos a eles:

Qual a ideia que lhe vem à mente quando você ouve a palavra “ética”?

Qual a ideia que lhe vem quando ouve a palavra cidadania?

Observemos o mundo no qual vivemos. Pensemos nos relacionamentos entre as pessoas, nos relacionamentos entre os grupos de pessoas, as cidades, os países... Como as pessoas, os grupos de pessoas se comportam diante da necessidade de conviver com o outro?
Não há como fazer essa reflexão sem estar pensando sobre ética e cidadania. Isso por que (e agora vamos para o conceito clássico, acadêmico) a ética é a parte da Filosofia que se dedica a estudar o comportamento humano em sociedade.
Ética é o produto da busca consciente de uma interpretação da moral social, ou seja, das normas de conduta dos grupos de pessoas.
A ética de um grupo ou de uma sociedade é aquilo que orienta a formação de suas regras, seus tabus e costumes. A moral se resume nos costumes e normas propriamente ditos, enquanto a ética é o “modo de ser” (ethos) daquele grupo, os valores que permeiam a própria inspiração do ato normativo que cria suas regras.
Assim, ética é um exercício de reflexão diante de uma situação qualquer, a fim de encontrar a atitude mais correta, adequada e que seja o menos prejudicial possível à coletividade. Daí surgem as regras e os padrões de comportamento.
E observemos que no momento em que o indivíduo estabelece limites para si na relação com o outro, está exercendo uma prerrogativa que lhe confere a condição de cidadania, já que a cidadania é o exercício de direitos e deveres em uma comunidade.
Cidadania enfim, é o exercício de buscar conhecer seus direitos e deveres, fazendo valer seus direitos, mas, respeitando os direitos coletivos e individuais dos demais membros da sociedade.
Assim, estabelecemos o vínculo indissociável entre ética e cidadania.

É preciso portanto, que saibamos qual é a nossa ética, ou seja, o nosso “modo de ser”, para que, através desse conhecimento, possamos entender a origem das regras que organizam nossa sociedade.
Mas temos um problema. Quando se fala em cidadania, muitas vezes encontramos definições que conduzem a uma interpretação equivocada, como “cidadania é a condição de acesso aos direitos sociais”. Esquecem os defensores de tal tese, que há deveres como há direitos. E os deveres são talvez mais importantes que os direitos no exercício da cidadania, pois são eles que atestam o reconhecimento e o respeito à existência do outro como parte essencial à manutenção de uma coletividade. 

Se cada um pensar nos seus deveres e cumpri-los, todos respeitarão automaticamente os direitos de todos. Não haverá necessidade de me preocupar com meus direitos, pois todos estarão preocupados em respeitá-los.

A sociedade moderna, guiada ainda por um sentimento individualista que teve seu início ainda nos primórdios do pensamento humanista, na era do Renascimento, historicamente situada na Itália, entre os Séculos XIV e XVI, parece estar se afundando no extremo do narcisismo.
O indivíduo não se permite enxergar o outro como objeto de um sentimento qualquer que não seja espelhar a aparência de algo que ele acredita possa ser a reprodução de sua experiência primária de satisfação, o que explica o equívoco acima citado, no que diz respeito à supervalorização dos direitos individuais em detrimento do desenvolvimento do grupo como um todo.
O outro é percebido como um objeto, sem outra função que não seja servir de canal de descarga das pulsões do indivíduo, cada vez menos humano, menos civilizado, se entendermos civilização como o efeito de internalização de regras sociais necessárias para a convivência em sociedade.
Assim sendo, o que nós temos é uma sociedade formada por pessoas que agem de forma egoísta, individualista, insensível e desumana. Outro dia eu fui à agência da CEMIG resolver um problema. Peguei a senha, me sentei e fiquei esperando. A atendente terminou um atendimento e chamou minha senha, mas a pessoa que estava de saída retornou com uma dúvida e continuou sendo atendida. O sistema chamou a próxima senha. O sujeito percebeu o ocorrido, olhou pra mim e disse: azar seu. E foi para o atendimento. Felizmente, o guichê ao lado vagou ao mesmo tempo e eu fui atendido sem demora. Não seria grande sacrifício esperar mais alguns minutos. O que doeu foi a falta de sensibilidade do indivíduo, que perdeu a oportunidade de agir eticamente e exercitar cidadania.
Outra característica da nossa ética enquanto cidadãos é a postura apática e irresponsável em relação à administração da coisa pública. Sustentamos a ideia de que “o governo é responsável por tudo”. Assim, deixamos de exercer plenamente a cidadania, quando não fazemos o que é nosso direito e dever como republicanos que somos, ou seja, somos omissos e covardes.
Pior que isso, ainda atribuímos a um terceiro qualquer a culpa pelo resultado de algo que talvez não ocorreria se não fôssemos omissos e contraditórios com nosso próprio discurso.

Assim como dito por Rousseau, o estado natural do homem chegou a um ponto de não poder mais se sustentar, precisando ser substituído pelo estado civil, também as formas de administração do estado civil, de certa forma “caducam”. Há que se renovar. A evolução humana requer revolução social. 
Há que se preparar para isso. Há que se entender o que é ética e o que é cidadania. Há que se agir eticamente no exercício da cidadania.


- O texto acima resume a palestra ministrada em 06/04/2017 na biblioteca pública de Bom Despacho-MG, em evento promovido pela Prefeitura do Município e o Fatias de Análise: Nucleo de Psicanálise e Discursos.

Fogo amigo queima a própria carne.

Há tempos venho chamando a atenção de quem me ouve sobre os efeitos danosos que pode causar a falta de critérios facilmente observada na utilização irresponsável dos meios de comunicação e informação que a cada dia se multiplicam. Não estou defendendo o silêncio diante dos erros, apenas creio que a moda dos paladinos virtuais está expondo-nos a todos ao ridículo, isso se não nos expõe, como creio, ao risco da falência e do descrédito.
O pior de tudo isso é que não é um fato novo. A Polícia Federal brasileira, já há muito tempo deixou de ser órgão investigativo e passou a funcionar como fonte de informação da imprensa, o que faz ao arrepio da Lei, sem o menor compromisso com a verdade ou a menor preocupação com os efeitos danosos que esse desvio de função pode causar.
Ora, sabemos que a função institucional da polícia judiciária, sejam as estaduais, seja a federal, é coletar indícios a fim de municiar de informações o judiciário, para que este julgue e puna os responsáveis pelo cometimento de ilícitos. Claro como o dia é que não está entre as funções da Polícia Federal a divulgação de informações. No site da instituição (www.pf.gov.br/institucional/acessoainformacao/institucional/competencias)  pode-se ler o seguinte: 

"A Polícia Federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
- apurar infrações penais contra a ordem política e social;
- apurar infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas;
- apurar outras infrações penais cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
- prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins;
- prevenir e reprimir o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;
- exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras- exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União. "

Mas, ao contrário do que se poderia e deveria esperar, e repito, não é coisa nova, tornou-se costume da nossa PF, mal supõe haver descoberto algo, com investigação ainda pela metade, ligar o ventilador na farofa e expor irresponsavelmente os resultados de seus trabalhos incompletos, deixando no ar as mais diversas possibilidades de interpretação, a um povo inculto, supersticioso e deslumbrado.
Poucos de nós são capazes de efetuar uma pesquisa em busca da consistência das informações que nos chegam. Grande parte dos "internautas justiceiros de plantão" não pensa um segundo nos desdobramentos de seu ato e, cedendo a uma comichão que parece incontrolável, curte, comenta, compartilha e goza com isso.
Os resultados não poderiam ser menos catastróficos. Ignoram os ilustres mexeriqueiros o fato de que o Brasil é o maior exportador de carne para o resto do mundo e que a divulgação dessas levianas inconsistências pode nos trazer prejuízos sem medida. 
O mero compartilhamento de piadas, como se observou no final de semana subsequente à divulgação da "notícia", pode ser divertida para quem o faz e assim ganha umas curtidas na rede social, mas o dano à imagem que os empresários brasileiros lutaram arduamente para construir no cenário internacional não será facilmente sanado. E tudo isso baseado em quê?  Em uma investigação que está em seu começo.

Resultado: Logo na manhã da segunda-feira a União Européia e a Coréia do Sul já se manifestaram pela interrupção à importação de carne brasileira. Que graça terá para os compartilhadores de boatos (informações sem a devida comprovação) na mídia, ter que amargar, ainda que nunca assuma ou seja responsabilizado,  o imenso prejuízo que sua infantilidade nos causará?

O que quer a Polícia Federal brasileira? Destruir um investimento que há décadas vem sendo feito na imagem do país como fornecedor de proteína animal ao mundo? Ou a PF está sendo usada como instrumento de inviabilização do governo?
Não precisamos temer a concorrência dos EUA, que competem conosco na exportação de carne. Nós mesmo damos um jeito de queimar nossa imagem e abrir espaço ao concorrente.

Parabéns Polícia Federal. Parabéns imprensa brasileira. Tendo amigos como vocês, não precisamos de inimigos.


Trabalhar, contribuir, aposentar. Como?

 Muito se tem visto e ouvido nos últimos meses a respeito da reforma previdenciária que o governo brasileiro, a duras penas, tenta implantar. Pudemos ver milhares de pessoas indo às ruas protestar contra o projeto. Todos os dias o assunto circula nos telejornais, bem como nas redes sociais e sei lá que outros meios de comunicação.
Fato é, que como tem-se tornado costume no Brasil pós-golpe de 2016 e até mesmo no período da própria construção daquele malfadado processo de impeachment, que destruiu o que podia ter restado de crédito à democracia tupiniquim, as massas tem-se dado às manifestações e protestos de forma imatura e irresponsável. E chamo aqui o etnômino tupiniquim justamente para nos forçar a pensar no quão pouco se sabe a respeito do que se fala, já que esse adjetivo étnico, embora seja comumente utilizado para designar algo como sendo originário do Brasil, na verdade é o gentílico de um dos grupos indígenas brasileiros menos conhecidos por nós mesmos.
E é desse autodesconhecimento que quero falar. Dessa falta do hábito de buscar conhecer aquilo sobre o que fala. Disso que nos qualifica como verdadeiras crianças no agir e proceder, parlapatões que somos.
Ainda ligando o que vou dizer às nossas origens indígenas, é comum se ouvir que “índio é preguiçoso”, que “índio quer ganhar as coisas sem trabalhar”. Pois bem, se assim for, eis que nós brasileiros como povo herdamos sem falta essa característica que todos execramos, pelo menos em palavras. Acontece que agora mesmo estamos todos, ainda que divididos em classes e cada uma delas a usar dos argumentos que acha, esperneando desesperadamente diante da possibilidade de alteração nos termos da legislação previdenciária, que pode nos fazer trabalhar mais tempo.
Os policiais, os professores, os vigilantes, profissionais da saúde, juízes e promotores de justiça, cada um a seu tempo, por seus meios e conforme suas forças, como um que se afoga, debate-se em busca da heteronomia, em outras circunstâncias rejeitada e sempre combatida.
Pior de tudo é que muitos se aventuram a emitir opinião, ou repetir a opinião de terceiros, sem sequer ter lido a proposta do governo. Sim, afirmo isso com segurança, pois já pesquisei entre conhecidos meus, ocupantes de distintos níveis sociais e culturais. Pouquíssimos são os que leram o projeto, embora muitos o taxam de ruim, péssimo, vergonhoso, imoral, “et cetera”.
Outro dia, conversando com um colega de trabalho, esse disse que temia ter que trabalhar até os oitenta anos. Levando-se em conta que o dito colega é detentor de diploma de curso superior, ocupante de cargo público para o qual se exige formação superior e ainda, que trabalha exatamente em um ambiente onde as leis precisam inescusavelmente ser conhecidas, sobreveio-me um certo desânimo ao imaginar o que se esperar do restante da população, uma vez que esta é sabidamente carente de formação e informação.
Não bastasse a evidente desinformação e a não menos perceptível nefasta influência causada pela desenfreada balbúrdia que o uso irrestrito da liberdade de expressão tem nos acarretado, temos nos mostrado um povo realmente preguiçoso. Nossos jovens começam cada vez mais tarde a exercitar sua produtividade e fogem da ideia de constituir previdência privada, mas não ocultam a intenção de encerrar tal exercício com a maior brevidade possível, sem se preocupar com o óbvio: quem vai sustentar seu sonhado ócio prematuro e não programado?
Ora, qualquer um que tenha um pouco de bom senso vai entender sem muito esforço que de onde mais se tira que se põe, em pouco tempo não se terá mais o que tirar. Assim é com o sistema previdenciário. Não temos o hábito de economizar e queremos encontrar na aposentadoria um fruto que não plantamos. E culpar os desvios e os governos pela conta não fechar é um reducionismo não menos infantil. Os desvios sempre ocorreram e dificilmente deixarão de ocorrer. Esses devem ser computados como os prejuízos inerentes e previsíveis que o são. O que precisamos sim, é de abandonarmos essa postura egoísta e pensarmos no futuro de forma madura e equilibrada.
Olhemos para o resto do mundo. A Europa há pouco passou por situação similar, com protestos de trabalhadores pelo velho continente afora, o que não impediu que a idade média tenha subido além dos 65 anos para os homens. Nos EUA essa idade mínima está na casa dos 66 anos e a tendência mundial, diante do crescente aumento da longevidade é de aumento também do tempo de trabalho e de contribuição. É matemática pura e simples.
Vizinhos nossos como o Chile, a Argentina e a Colômbia fizeram adequações recentemente. No Canadá não se aposenta sem 35 anos de contribuição e no Japão, 40 anos. Por que motivo o Brasil deveria ou poderia ir em sentido contrário e não buscar atualizar o modelo previdenciário?
Quanto ao nosso sistema de captação, administração e devolução dos recursos previdenciários, outros países o praticam. Se é ou não o mais adequado à nossa realidade, estudemos e o adequemos. Mas uma coisa é certa e urgente: Que quem queira se atrever a falar sobre o assunto pelo menos saiba sobre o que está falando. Primeiro leia e procure entender o texto da proposta governamental, depois julgue por si mesmo se é ou não bom para o povo como um todo, não apenas para um ou outro indivíduo, setor, ou grupo de profissionais.
É bonito ver as pessoas se organizando e saindo às ruas aos milhares na luta por direitos, mas é preocupante ver que a grande maioria não enxerga além do que esses direitos podem trazer de benefícios imediatos e individuais, ou não percebe as inevitáveis consequências de suas intervenções, ainda que legítimas.  

A força oculta do discurso

Por discurso se pode entender uma forma organizada de se apresentar uma ideia. Um discurso pode ser um texto que alguém apresenta a um determinado público, a fim de manifestar seus sentimentos, interesses e desejos. Mas o conceito pode abarcar uma extensão muito maior de sentidos. Assim, podemos dizer que o discurso de uma sociedade abrange toda uma infinidade de pressupostos, dogmas e códigos morais, com a finalidade de dar sustentação à sobrevivência daquele grupo de pessoas.
Foucault nos ensina que o discurso tem em uma sociedade a função de controlar, selecionar e organizar, pela via de processos de exclusão e interdição as possibilidades de manifestação dos sujeitos enquanto seus membros, revelando assim o estado de permanente tensão entre os discursos dos indivíduos com o discurso da sociedade. As instituições das quais a sociedade se utiliza para ratificar seu discurso se encarregam de estabelecer os sistemas de averbação da voz do indivíduo, permitindo-lhe ou negando-lhe acesso ao direito de ter seu discurso acolhido, reconhecido como portador de valor.
Isso por sua vez, revela o vínculo do discurso com o desejo e com o poder. Foucault evoca ainda o discurso da Psicanálise para afirmar que “o discurso não é simplesmente aquilo que manifesta (ou oculta) o desejo, mas também é aquilo que é o objeto do desejo. O discurso não é somente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo pelo que se luta, o poder do qual queremos nos apoderar”.
Então, um discurso não apenas relata, explica, expõe, mas, traz em seu cerne, mesmo que na maioria das vezes de forma deliberadamente oculta, uma intencionalidade, um conteúdo ideológico o qual pretende transmitir juntamente com seu relato, sua explicação, sua exposição. 
Essa intencionalidade, ouso afirmar, é aquela que ferirá de morte o sujeito em sua essência, a partir do momento em que o prender em suas malhas ocultas sob o denso nevoeiro da manipulação consciente e direcionada das ferramentas metalinguísticas em desfavor da semântica, que enfatizam o código em detrimento do conteúdo com o intuito claro de não ser claro, mas, obscurecer para confundir e assim atingir com menos resistência seus objetivos.

Policiais grevistas no ES: Covardes e perjuros.

   



Se você discorda da Lei, lute para mudá-la. Mas, enquanto essa Lei vigorar, cumpra-a. Se não for assim, quando a Lei estiver a seu gosto, os que dela discordarem não se verão obrigados a cumpri-la.
Se você estiver em uma situação de risco, é justo colocar sua família à sua frente para livrar sua pele? É adequado jogar a opinião pública contra sua família baseado na desculpa esfarrapada de que seus direitos trabalhistas não estão sendo respeitados? E para encerrar: É lícito, ético, moralmente justificável, abandonar à deriva, entregar nas mãos das feras a sociedade à qual você jurou lealdade, jurou proteger ao custo da própria vida?
O pouco conhecido poeta Natalino Gomes da Silva teria dito: "Policiais militares, pretorianos, homens treinados, preparados para missão. Honrar seu juramento é sua meta, cuidar e defender a sociedade é seu objetivo".
Pois os policiais militares do Espírito Santo, numa demonstração de total falta de respeito para com os cidadãos de bem de seu Estado, os quais são quem em última análise, pagam seus salários. Agiram de forma nojenta, cruel, irresponsável e covarde. Lançaram mão de um recurso inadmissível, rebaixando-se ao nível dos governantes que mal e porcamente os administram.
Impedidos pelo regulamento, ao qual um dia se obrigaram de livre e espontânea vontade, burlaram-no assim mesmo, ocultando-se à sombra de suas mulheres e seus filhos, os quais "bloquearam" as saídas dos batalhões para evitar que as viaturas saíssem para o trabalho.
Ora, se for assim, que polícia é essa? Se meia dúzia de mulheres e filhos dos bandidos "bloquearem" a saída dos quartéis da PM espírito-santense, o restante da população estará entregue à sorte? Que braço armado do Estado é esse, que se acovarda diante dos embaraços sabidamente inerentes ao servidor público no Brasil, ombreando-se aos milicianos e mafiosos que optam pelo "ordo ab chao", ou seja, crie o caos para se oferecer como solução?
O povo do Espírito Santo não merece tal tratamento por parte de quem devia morrer em sua defesa, já que, voluntariamente optou por ser policial e se submeter às agruras típicas do ofício, que deveria observar como um sacerdócio.
São um bando de covardes que, assim que o Exército e a Força Nacional restaurarem a sensação de segurança, enfiarão o rabo entre as pernas e voltarão a seus postos, onde continuarão a exercer as arbitrariedades costumeiras, a achacar comerciantes e turistas incautos.
E suas esposas e filhos, poderão se orgulhar de ter contribuído para absolutamente nada de útil. Pelo contrário, serão lembrados como os que fecharam as portas dos quartéis para alí conter a polícia e abriram as portas da cidade aos bandidos.